Fui ontem ver o Corviale (http://it.wikipedia.org/wiki/Corviale). Uma habitação social na Perifería de Roma e um dos mais comprimidos edifícos do Mundo, 1km de comprimento e cerca de 15000 habitantes.
Fui com uma das artistas da Academia, Angela, uma fotógrafa escocesa de causas humanitarias há mais de 30 anos e cheia de historias para contar. Achamos que era uma visita a fazer já que ela queria fotografar a vivência no Edifício e eu por outro lado perceber a sua dimensão, impacto na paisagem, ja que é um edificio isolado e cercado por campos agrícolas e actualmente usado para pastorícia (ver fotos) e mais importante pela apropriação de terrenos à volta do Corviale por parte dos habitantes para o desenvolvimento de hortas urbanas.
Achei interessante a ocupaçao "ilegal" dos terrenos na proximidade do edificio feito por alguns dos habitantes onde cultivam um pouco de tudo e com todo o respeito pelo talhão do vizinho.
Pelo percurso encontramos um senhor italiano, habitante do Corviale, dentro do seu pequeno espaço improvisado, nos seus normais afezeres. Após um pequeno dialogo conseguimos convençe-lo a deixar-nos entrar na sua horta (todas estão protegidos por cercas) para fazer-mos algumas perguntas sobre o edifício, a sua vivência, e tirar algumas fotografias. Acabou por ser um momento divertido e ao mesmo tempo interessante, já que o senhor, com os seus 82 anos, adorou toda a atenção que lhe estavamos a dar, comentado ate com um vizinho que passava que se tinha tornado famoso.
Tinha-se mudado há mais de 30 anos quando um terramoto deixou a sua casa em destroços, tendo felizmente sobrevivido. No início, obrigado pelo Município de Roma a mudar-se para o Corviale, detestava o Edifício e aquilo que representava, no entanto, agora, depois de tantos anos não se importa de aqui viver, tendo a sua horta para passar o tempo. “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.
Explicamos-lhe aquilo que estavamos a fazer em Roma e o trabalho que estava a desenvolver. Consegui imediatamente perceber o entusiasmo do senhor pelo tema, dando-me até varias dicas para espaços de agricultura urbana a visitar em Roma e nas imediações, contado-nos até que o sítio em que residimos neste momento, a Villa Borghese, acerca de 50 anos atrás eram campos agrícolas e que ele próprio, jovem, tinha cultivado no que é agora um dos maiores parques urbanos da Europa.
Depois de tirarmos algumas fotos ao simpático senhor e á sua horta e de ele nos ter dado a morada para enviarmos as fotografias tiradas, seguimos a nossa visita.
Resolvemos subir a colina, entre o Corviale e os campos de pastorícia com cerca de 3 rebanhos de ovelhas, pousar as nossas tralhas e fazer um pic-nic improvisado com uma vista mista entre betão e paisagem natural ao som das ovelhas.
Depois do almoço cruzamo-nos com um Pastor com o qual tivemos uma pequena conversa e que nos disse sem temor que jamais viveria no Corviale, o que nos deu uma rápida ideia do sentimento geral das restantes pessoas. Subimos o Corviale para perceber o interior, tiramos mais algumas fotografias e regressamos ao centro de Roma.
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